quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

As nossas cicatrizes, todas, poderiam ser fechadas com látex



Há exatos cinco anos, nesta data em que se misturam aos inícios das belas comemorações de passagem, perdi você. A última palavra que lembro de termos nos falado até altas horas foi o "boa noite" com gosto de creme dental e o som simpático de seu sorriso, encontrando os meus que diziam os mesmos desejos: de uma noite tranquila e agradável, de um dia posterior de bela manhã... De fato, creio que ele dormiu bem e teve um bom dia. Porém, pensando melhor, se eu pudesse prever, não o teria deixado sair de casa na noite do dia seguinte. Teria feito de mim a sua concha. Perder alguém cedo é passar a conjugar muito mais o futuro do pretérito.

Lembro-me dos seus encantadores olhos azuis turquesa, do seu sorriso alvo e da sua paz interior; embora, sempre hiperativo com seu skate sob os pés nas horas vagas. Não há um dia em que não olhe as mãos de nosso pai e não veja as sua. Você, sempre alterando ordens. Mas dessa vez, não teve graça. Eu ainda o queria na Terra como meu irmão mais velho, protetor, ciumento, guardião, amigo. E sem precisar apostar digo, a Lo, nossa irmã, queria ter você ainda como o segundo irmão dela, aquele que não a fez ser a criança que só tinha amigos imaginários, o Daniel, nosso caçula, muito provável gostaria de ter saído contigo à noite e os nossos pais, ah, estes nem preciso dizer, o quão sentidos ficaram por você ter alterado a ordem dos fatores... Não sei onde está escrito que os filhos são que devem enterrar os pais... Mas agora compreendo muito bem o valor dessas palavras.

Hoje, eu não sei se sorrio ou se choro. Muito provável farei ambos. Como agora... Eu só queria te dizer, Juninho, que nesta data, em retrospectiva, eu tive a pior notícia da minha vida, de uma forma injusta você partiu. Porém da dor ficaram as lembranças, que embora nos façam rir, vem também com certa nostalgia, em palavras mudas e olhos que brilham (pelas lágrimas e saudade).

Você me ensinou amar a arte. Em acreditar nas várias possibilidades diárias e que pessoas boas se cruzam todos os dias. Sinto saudade da sua bagunça espelhada pela casa. Sinto falta dos nossos Natais. De seus olhos brilhantes de emoção e agradecidos. Dos nossos momentos e até mesmo das nossas pequeninas discussões, onde você quase sempre tinha razão. Nessa data passa-me um filme na memória.

Perder quem amamos é tão ruim. É a falta da voz, do cheiro, dos abraços, do suor. A casa fica grande demais. E em tudo que se olha, lá está um pedaço da pessoa a qual não queremos que partisse. Aliás, este pedaço a que me refiro não é material: você passa olhar tudo com os olhos da alma. Você se pega refletindo na pessoa sem saber por qual motivo seu pensamento te traiu e chegou ali. Às vezes dori (e muito). Outras, vem junto com a dor, a leveza. E os sentimentos se misturam. Você abana a cabeça, como que se dessa forma fosse plenamente possível desfazer o pensamento... Mas não! Este tipo de recordação as pessoas simplesmente terão que aprender a conviver e a trapaceá-la. Pois a lembrança surge... E não escolhe hora nem lugar.

Amar é estar sujeito a aprender também a abrir mão. Aprender que pessoas não são imortais, que certas partidas não duram algumas horas, uma pôr-do-sol, um mês... Como também, mesmo que se deseje (em demasia) guardá-las por proteção, não há como encerrá-las em lugares totalmente seguros.

Meu irmão passou como um cometa nessa Terrinha: brilhou muito mas em pouco tempo. Porém, quem consegue apagar da memória o brilho de um astro? Quando vejo arco-íris, sorrio. É a nossa ponte. Aonde estou, paro e converso comigo mesma. Converso contigo, então. Você que admirava esse encontro da natureza e me contava histórias sobre. De certa forma nesses momentos seu abraço e sopro de vida chegam até mim.

Por isso amem! E digam que amam! Valorizem as pessoas que estão a sua volta! Sorriam ao inusitado, ao desconhecido. Tenham e somente guardem boas recordações. Não se desfaçam de um pedido de desculpa, atendam as ligações ou ao menos as retorne! Mandem cartas, escrevam no final dos cadernos e nas anotações de alguém dizendo que você o adora. Isso faz bem a alma, diminuem as dores e é saudável. Não tenham medo de parecerem tolos aos olhos dos que somente passam pela vida. A nossa travessia é bastante importante. Não a deixe ser intermitente. “Viver carece de ter coragem”.

Dedicado a Jorge Luiz Saar Armond Junior - Juninho

26/04/1980
04/12/2003

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Boas Coisas


"...havia pois chegada a época em que os rapazes começam a notar que o seu coração palpita mais forte e mais apressado, em certas ocasiões, quando se encontra com certa pessoa, com quem sem saber por que, se sonha umas poucas noites seguidas, e cujo nome se acode continuamente a fazer cócegas nos lábios..."

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Por hora é só!

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Moon of the Day