domingo, 4 de março de 2012

Quando o perfume acaba


Quando o perfume acaba fica aquela ausência no ar, os olhos se distraem e as bocas não mais se encontram... Onde se deixaram? Ou se se deixaram, por quê?

O caminho que era uno se bifurcou e a presença que era presente, calma, macia foi-se amornando. Um dia ela deixou a casa e ele fechou a porta. Pensavam que teria volta, era crise. Entretanto as roupas do armário foram desaparecendo e depois a cama de casal foi partida (como tudo o mais que tiveram em conjunto).

Com quem ficaria o cão? Com quem ficariam as fotos? E aquele quadro na sala que compraram com tanta felicidade quando a casa estava sendo decorada? Seriam embalados, postos em papel pardo e guardado (junto às imperfeições que eles criaram para si). Um certo Vinícius (de Moraes) dizia que a separação era a ausência de cores; Eles, então, se encontravam em preto e branco.

Despediram-se? Alguns se despedem (por educação, carinho ou culpa) enquanto outros fogem. Fugir de quê e para quê? Se a armadilha está guardada dentro e é seu passageiro. Liberte-se! E troque de perfume. Ou use-o até até se curar e sentir-se bem consigo. Mas troque o perfume.

O perfume quando acaba não faz sentido em tentar colocar água ou álcool no frasco: o cheiro nunca mais será o mesmo.

Moon of the Day