terça-feira, 30 de abril de 2013

Até quando?


Eu nunca tive um namoro assim. Vazio, fútil e  mutilado. Nunca conheci uma pessoa tão machista e rochosa. Me sinto cada vez mais aprisionada na minha própria jaula. Aceitando ser julgada, pisoteada e criticada a cada respiração. Eu não sei o que é amor. Eu esqueci. Vejo casal sorrindo na rua e sinto vontade de chorar. Ouço casais fazendo planos juntos e invejo. Por que eu não mereço? Por que tentam me fazer acreditar que eu não posso ter amigos homens se eu  não quiser ser taxada de piranha? Cansa! Namorar cansa! Odiar quem você ama, cansa! Amar quem se faz odiar, cansa! Qual meu papel nessa história? Abaixar a cabeça e aceitar uma pessoa indivualista, fria, vingativa e criada numa redoma onde alguns valores e carater são completamente diferentes do que minha familia e principalmente, minha experiência de vida me ensinram? Estou há meses tentando expurgar esse câncer de mim. Mas está cada vez mais dificil. Não consigo entender o que me prende, já que não há abslotumamente nada que me faça sentir bem.
Eu não posso ter amigos homens. Não posso ir a praia. Não posso usar tal biquini. Não posso ver minhas amigas. Não posso passar minha folga longe. Não posso viajar sozinha. Não posso receber sms. Não posso usar Twitter. Não posso dormir no meu apartamento. Não posso sair pra jantar em pernoites antes de brigar. Não posso... não posso.... não posso.... Não posso viver! Que raio de macumba foi essa? Deus, afasta de mim quem não me acrescenta. Afasta de mim uma familia que só pensa no próprio umbigo e acha que dinheiro compra caráter. Livrai-me de todo o mal. Amém.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Quase como andar de bicicleta



"Depois, um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele.
Guardei a minha no bolso. 
E fui."


Eu ainda me pergunto como você tem cortado seu cabelo, porque eu gostava dele maior. Se ainda tens andado de moto nos finais de semana. Se a tatuagem da perna foi terminada. Se vendeu a casa ou se começou o mestrado.


Eu ainda me pergunto o motivo pelo qual nunca te ofendi, nem verbalizei (in)corretamente todo o meu comedimento e descrença. Vai saber. Eu não te mandei ir a merda. Deveria. Deveria? Não, não sei mais ( o momento já passou). Apenas seguimos os nossos caminhos. Uma droga não ter podido te abraçar. Talvez eu tivesse sentido falta não do cheiro do perfume, mas do corpo. Não dos dentes, mas da boca. Não da falta de conversa, mas do diálogo.


A sensação foi a de uma mulher grávida prestes a dar a luz a um prematuro, ou tido a bolsa rota no meio do transito, no meio da missa, no meio da prova. No meio do nada. Se tivesse sido uma pequena cirurgia eletiva, não teria sentido tanto. Sabe por quê? Porque essas cicatrizes costumam ser mais bonitas, retilíneas e nós sabemos dizer a história pregressa da nossa dor. E em um acidente, o que fazem é tentar juntar os pedaços, colocar as pontas nos lugares e suturar, tentando tornar o corpo/a pele/ a alma mais equilibrados. E nesses casos nunca sabemos dizer o momento exato do impacto e a única palavra que mais se houve deve ser "não foi por querer".

E assim, todos nós passamos de um per, para um pós operatório. Um remendo dado (muitas vezes mal feito) e uma sala para verificarmos se os nossos dados vitais estão nos valores de referência desejáveis. E quando teremos alta? Quando julgarem que não corremos mais risco. E quando não corremos mais riscos? Não sei te dizer, pois a cada abrir de olhos, a cada respiração, a cada pensamento é para mim um novo risco. E vamos assumi-los. E vamos muitas vezes desorientar algumas pessoas, assim como também farão conosco... Mas se respirarmos fundo e retirarmos toda essa nuvem cinzenta da frente, veremos que numa sala de espera, pode haver alguma pessoa preocupada com você. E essa pode te ajudar a passar o filtro solar nas cicatrizes que você não alcança (não digo ficar trocando o curativo) e nesse momento você descobre que: se não tivesse quebrado a cara naquele momento, nunca teria descoberto a possibilidade de reabilitação. Digo, de novos cortes de cabelos, de ter vistos cabelos mais bonitos, de ter ousado desenhar outras tatuagens e de ter andado na garupa de outras motos.

A escolha é nossa. Não é porque está doendo que não vai sarar.

É algo como andar de bicicleta: você cai, machuca e jura nunca mais montá-la. Mas passado o susto, o primeiro impacto, você tentará de novo (pode ser que demore algumas horas, dias, meses). Pode ser que nesse momento  queira usar um capacete, uma joelheira, uma cotoveleira para se proteger e recomece a dar pequenas pedaladas, indo de quarteirão a quarteirão, sempre na reta e próximo ao meio fio. Até que, novamente, você tenha vontade de sentir aquela brisa no rosto, a mesma de quando estava em uma determinada velocidade e se arrisque um pouco mais e tenha coragem de descer o morro outra vez.




terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Manda-lhe saudades minhas



Falar de saudade sempre dói. Sangra. Dilacera. Arrebenta. Entretanto, faz-se sorrir e no fundo, por causa disso, as pessoas percebem o motivo pelo qual vivemos. Certo está: a malha fina que recobrirá a pele será tênue, se rasgará se você não tomar cuidado, irá doer mais algumas (muitas) vezes e você passará algum tempo olhando aquele sinal, aquela chaga aberta que, ingenuamente, pensou estar fechada. Mas e daí, você me pergunta.

E daí que eu sinto saudades. Eu sinto falta de tudo e todos aqueles que me fizeram feliz. Eu sinto saudades de ser criança, sinto saudades do Puma (meu primeiro cachorro), sinto saudades de alguns brinquedos que eram preferidos, sinto saudade de gente que já partiu. E dessa forma vamos traçando o nosso eu interior: da falta nasce uma esperança de dias melhores ou a promessa (quando cumprida) de que agora será diferente.

Sinto falta. Merda. Sinto um encolhimento no peito que me rouba o ar. É pior que topar com o dedo mindinho na parede, na cabeceira da cama ou seja lá o objeto que for. Essa dor vai logo embora, enxotada, exorcizada após pequenos lamúrios. Entretanto, quem te ensinou que saudade nunca acaba e pode doer (e vai doer)? Quem foi que te contou que esse sentimento te pega desprevenida? Quem foi que disse que, vez por outra, vai querer abrigo (ou brigar) para ver se abafa o caos interior que se formou como uma bola de neve logo pela manhã? Provavelmente, ninguém. Isso aprendemos sozinhos, ao amanhecer do dia mais doce, ao alvorecer do dia mais negro. E entre ambos, todos ao seu redor continuam a se movimentar (assim como você), como se nada acontecesse; sem repararem ao redor, nos seus olhos. E você frágil e forte, quando for cumprimentada, vai dizer mecanicamente “estou bem”.

Estou bem uma ova! Estou enlouquecida de saudade. Estou despedaçada, sangrando, amaldiçoando, negando (eu não posso acreditar que você não está aqui fisicamente). São aqueles cinco estágios que se seguem à perda. Estou com raiva de tudo que é belo e que é feio (furiosa comigo porque eu não pude te proteger e fazer de mim a sua concha). Estou barganhando, sendo dócil, serena (quis trocar com as divindades tudo o que tenho para te ter de volta). Estou triste, chorosa, com um bolo de dor (querendo dormir para ver se passa mais rápido esse sentimento). E por fim, estou aceitando, compreendendo, entendendo, encontrando a paz. 

Até que amanhã em um átimo de segundo a saudade volta a aparecer, ou relembre, melhor dizendo,  mais uma vez que ninguém ensina como se portar educadamente com esse sentimento. Eu sinto saudades. E quando isso acontece eu choro, perco o ar e sorrio junto. Porque amanhã a dor melhora, a ausência se amacia e eu volto a ver o sol.






Dedicado a todos aqueles que nos fazem falta, aos que partiram  física ou espirutualmente de nossas vidas. Em especial ao meu irmão que há nove anos me faz sentir saudades diariamente. 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O acendedor de lampiões



. . .

As luzes de Marte estão se desfazendo
E o brilho intenso de um poste se desfaz
Os dias são loucos e duram um minuto
Descansa aquele que acende lampiões
As luzes de Marte estão se esvaindo
E um pequenino desliza no espaço
O nascer do sol podemos ver várias vezes
O por-do-sol se exauri outras tantas

Pedacinhos de mar que se escondem no céu
Solidão difusa de asteróide esquecido
Pedacinhos de mar em algum ponto no deserto
Pedacinhos errantes, mas longe um divino

As luzes de Marte estão se acendendo
Retorna aquele que acende lampiões
O quarto planeta acorda novamente
Guerreiro está pronto p'ra lutar
As luzes de Marte estão se explodindo
Acorda aquele que acende uma guerra
Cabo-de-guerra tem deimos e fobos
Os vermes, apenas um...

. . .