segunda-feira, 7 de abril de 2014

Falando sobre cegonhas

O primeiro caso de onde vem os bebes



"Já sonhei nossa roda gigante esconde-esconde em você
Já avisei todo ser da noite que eu vou cuidar de você
Vou contar histórias dos dias depois de amanhã
Vou guardar tuas cores, tua primeira blusa de lã"


Dia desses, dando banho em Clarinha (minha sobrinha de três anos de idade), em um determinado ponto de nossas infinitas conversas ela me disse que uma amiga da mamãe tinha um bebe na barriga. Eis o desenrolar dos fatos: 

- Tia Lalá, você também tem um bebe na barriga?

- Não, Clarinha, a dindinha não tem um bebe na barriga. 

Ela parou e ficou me olhando, como se faltasse mais detalhes em minhas palavras, curiosa, enquanto o vapor d'água embaçava o box de vidro e fazíamos desenhos nele. 

- Mas por que você não tem um bebe na barriga, dindinha?

E me encarou, desejando sua resposta imediata. Sorri. 

- A dinda não tem um bebezinho na barriga pois eu ainda não casei, como a sua mamãe e o seu papai que tem você e Helena. 

Pensei que ao dizer isso, dessa forma, ela entenderia ao menos um pouquinho, sem ter que entrar em méritos e detalhes maiores. Se fosse com uma sobrinha já adolescente o papo teria sido outro, a dinda teria explicado várias coisas e dado alguns exemplos. Nesse ínterim veio outro porquê. 

- Mas por que você não casou ainda, dindinha Lalá e não tem um bebe na barriga?

Quando ela me chama desse modo eu me derreto (e pior seria se ela tivesse dito Dindinha Lalazinha, porque geralmente minha querida bailarina me chama assim quando quer muito me adular). E eu teria esquecido de seus três anos de idade. Gentilmente, sorri e disse (imaginando mil e uma respostas improprias a sua idade): 

- A dinda não tem um namorado pra ter um bebe na barriga, Pequena, como a mamãe e o papai! 

Pensei que ela entenderia dessa vez... Então, Clarinha brincou  mais um pouco em sua banheira e eu continuava ao seu lado dando-lhe banho. Ela bateu ambas as mãos dentro da água, chacoalhando-na, e estendeu suas pequenas mãos em minha direção, em forma de concha (como se tivesse acabado de ter feito magia) e emendou: 

- Dindinha, agora você já pode ter um bebe na barriga. Toma aqui seu namorado!

Eu agradeci, fiz cara de surpresa e disse a ela que ele era lindo! Que ela tinha escolhido muito bem pra tia. Ela sorriu toda orgulhosa e disse como fim de papo: 

- Pode beijar ele, titia! 

(E quando eu digo que esses são os pequenos descuidos da vida, onde encontramos a verdadeira felicidade, com Clara e Helena minha alegria se tornam mais doces) 

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