segunda-feira, 6 de junho de 2011

Segredos


Os pés não paravam de se mexer, batendo ao chão, inquietos. As mãos suavam e a mente percorriam outros locais que não aquele: de uma sala de aula. Eram exatas dezenove horas e dez minutos.

Segundos? Milissegundos? Houveram, entre o suspirar e o palpitar e o olhar.

Desejou um lápis e uma folha, grama verde e pés descalços, gaivotas sobrevoando por entre o nascer e o viver.

Lembrou-se da garrafa de vinho posta à janela com uma taça apenas. Sorriu. Sentiu o vento de outono, o minuano, o mistral e desejou um afago, um suspiro longo, calmo, doce... Tantas palavras para a paz interior.

Aquietou-se.
Os pés acalmaram-se.
Eram exatas dezenove horas e dezenove minuto

sábado, 21 de maio de 2011

O AMOR NO COLO


A dor não pede compreensão, pede respeito. Não abandonar a cadeira, ficar sentado na posição em que ela é mais aguda.

Vejo homens que não têm coragem de terminar o relacionamento. Que não esclarecem que acabou. Que deixam que os outros entendam o que desejam entender. Que preferem fugir do barraco e do abraço esmurrado. Saem de mansinho, explicando que é melhor assim: não falar nada, não explicar, acontece com todo mundo.

Encostam a porta de sua casa (não trancam) e partem para outra vida.

Não é melhor assim. Não tem como abafar os ruídos do choro. O corpo não é um travesseiro. Seca com os soluços.

Não é melhor assim. Haverá gritos, disputa, danos. É como beber um remédio, sem empurrar a colher para longe ou moldar cara feia. É engolir o gosto ruim da boca, agüentar o desgosto da falta do beijo.

Será idiota recitar Vinicius de Moraes: "que seja infinito enquanto dure". A despedida não é lugar para poesia.

Haverá uma estranha compaixão pelo passado, a língua recolhendo as lágrimas, o rosto pelo avesso. Haverá sua mulher batendo em seu peito, perguntando: "Por que fez isso comigo?"

Haverá a indignação como última esperança.

Haverá a hesitação entre consolar e brigar, entre devolver o corte e amparar.

Vejo homens que somente encontram força para seduzir uma mulher, não para se distanciar dela.

Para iniciar uma história, não têm medo, não têm receio de falar.

Para encerrar, são evasivos, oblíquos, falsos. Mandam mensageiros.

Não recolhem seus pertences na hora. Voltarão um novo dia para buscar suas coisas.

Não toleram resolver o desespero e datar as lembranças. Guardam a risada histérica para o domingo longe dali.

Mas estar ali é o que o homem precisa. Não virar as costas. Fechar uma história é manter a dignidade de um rosto levantado, ouvindo o que não se quer escutar. Espantado com o que se tornou para aquela mulher que amava. Porque aquilo que ela diz também é verdade. Mesmo que seja desonesto.

Desgraçadamente, há mais desertores do que homens no mundo.

Deveriam olhar fora de si. Observar, por exemplo, a dor de uma mãe que perde seu filho no parto.

O médico colocará o filho morto no colo materno. É cruel e - ao mesmo tempo - necessário. Para que compreenda que ele morreu. Para que ela o veja e desista de procurá-lo. Para que ela perceba que os nove meses não foram invenção, que a gestação não foi loucura. Que o pequeno realmente existiu, que as contrações realmente existiram, que ela tentou trazê-lo à tona. Que possa se afastar da promessa de uma vida, imaginar seu cheiro e batizar seu rosto por um instante.

Descobrir a insuportável e delicada memória que teve um fim, não um final feliz. Ainda que a dor arrebente, ainda é melhor assim.




A gente achou esse texto a cara de alguns relacionamentos nossos. Relacionamentos esses, que colocamos vários ponto finais, gerando reticências mal acabadas. Então, fica assim, o dito pelo não dito...na esperança de um dia colocar um ponto final também em nosso coração.

terça-feira, 10 de maio de 2011

E você?


"E você, por que desvia o olhar?

(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarra-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)

— Ah. Porque eu sou tímida."

(Rita Apoena)


**Lembro–me como se fosse hoje, a primeira vez em que olhei os teus olhos e vi um brilho que nunca havia visto em outros olhos. E a certeza de que você seria a pessoa por quem me faria apaixonar todos os dias da minha vida.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Fato!


"A nave Mars Express da ESA (Agência Espacial Europeia) enviou imagens de um par de vulcões, localizados no hemisfério norte do Planeta Vermelho.
Muito depois de ter cessado a atividade vulcânica, a área foi transformada pelo impacto de meteoritos, que depositaram material nos lados dos vulcões".

Nas entrelinhas:

Os dois vulcóes de Marte quando entram em atividade causam explosões magníficas ao seu redor, mais intensas que as tempestades solares. Há quem se assuste, há quem admira, entretanto para todos os que olham, a paisagem é ímpar.
Talvez porque Marte te assusta. Entretanto, esse par vulcões são encantadores! Por isso os meteoritos sempre estão em torno.