domingo, 26 de abril de 2009

(In) certo


Hoje, ela pensou em vê-lo, em chamá-lo para sair e conversar. No tempo havia neblina e a manhã fria precisava de aconchego. Entretanto, a menina não pensava em ligar. Enquanto ele acordava de um sono inseguro com o pensamento nela.
Desde o último encontro, se olharam sôfregos, lânguidos e a impressão final não foi das melhores. Por que, então, neste exato momento um pensava no outro?
Seria o costume ou a falta?

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Amigos Não Deveriam Morrer


Foi um susto. Ainda estou com as mãos trêmulas, as pernas bambas , o coração apertado e os olhos cheio de lágrimas. Torcendo pra ser mentira. Mas infelizmente não é. Fui te dar parabéns. Te desejar muitos anos de vida e saúde. Muitas cervejas geladas e feriados. Do jeito que vc gosta. Tentei te ligar. Não consegui. “Talvez esteja em Brasilia”, pensei. Então fui até teu orkut. Os votos de felicidades estavam tristes. E eu não sabia. Como vc se foi e não fiquei sabendo a tempo de ir me despedir? Veio à minha memória todos os momentos que passei ctg. As altas conversas no msn, os seus sorrisos (nunca escondi que vc tinha o sorriso mais lindo de todos os guris!), as suas histórias de festas e baladas, o seu alto astral... e até da sua cantada... que tb foi a mais bacana de todas! Sim, sempre falo...” O Rafael foi um cara que me levou pela cantada. Foi original. Foi engraçada.”Ninguém te supera a isso. Ninguém supera teu sorriso. Ainda posso sentir seu cheiro. Ainda posso escutar sua gargalhada e até mesmo sua bronca qdo te deixei plantado me esperando. Desculpa! Lembro-me qdo tentamos ficar juntos. Você tinha que voltar pra Brasilia e eu não podia pedir pra ficar. As mensagens que tu me mandava no cel, me deixando feliz só pq vc dizia que sentia minha falta. E eu queria muito te dar um abraço! E eu queria muito que vc me pegasse no colo mais uma vez. Nem que de novo, fosse no meio da rua. Ainda quero. E daí vc voltou pra Minas. Lembro-me da nossa última conversa. Você me disse que me viu passando na rua. E que seus amigos mexeram cmg e eu me fiz que não vi. E vc disse que pediu pra eles pararem pq eu era a sua amiga Ruiva. Eu não te vi, realmente. E então vc fala:” Você continua linda. Queria ter voltado a tempo de Brasilia.”. E eu queria poder ter pedido pra vc nunca ir.

Ta dificil segurar onda, guri. Ta dificil pensar que nunca mais vou te ver. O fato de não termos amigos em comum e eu não ficar sabendo da sua viagem a tempo, me deixa mais triste. Há um mês! Bem estranhei que não aparecia no msn mais. Que eu não recebia mais scraps teu por depoimento.

Pq essa merda de acidente? Pq teu amigo dormiu no volante? Pq tu estava sem cinto de segurança? Espero de coração e do fundo da alma que tenha sido rápido o suficiente pra que tu não tenha visto e nem sentido.
Queria muito vc de volta. Aqui, me fazendo rir. Me “tentando”. Me enrolando. Não sei como sua familia está , não sei como reagir, não sei como segurar mais uma barra dessas. Peço a você que me dê conforto. Que me faça sentir abraçada por ti. Que não me deixe fraquejar. Que não esqueça de mim assim como nunca me esqueci de ti. Que apareça em meus sonhos só pra eu matar a saudade...

Rafa... Fael... Rafa Lindo...seja como for. Não dá pra acreditar. Ainda não. Você não. Queria muito escrever mais pra ti. Mas não consigo. To engasgada. Querendo gritar, chorar e pedir que me acordem. Como posso continuar feliz sabendo que vc não está aqui? Não precisava falar com vc todos os dias, pq sabia que estaria ali. Sabia onde te encontrar. Agora, faço oq? Como vou obter respostas? Como vou saber que tu está rindo das nossas conversas?
Dói muito. E acredito que vou precisar muito de força. Na verdade, queria você. Sempre amigo, sempre rindo, sempre lindo! Pra sempre. Te amo. Fica com Deus. E não me deixe sozinha.

"NINGUÉM MORRE ENQUANTO PERMANECE VIVO NO CORAÇÃO DE ALGUÉM!"
Rafael Alves Soares, 21 anos.

domingo, 29 de março de 2009

Laços



Essa foi a semana em que acordei com um aperto no coração. O por quê? Ah... Recebemos a notícia por telefone que meu pai seria transferido devido ao trabalho, para outro estado. Para muitos esta notícia pode soar normalmente, mas para mim foi um desastre.

Meu grande pai! Sou louca por ele! Não só por ser o meu pai, mas pela afinidade que temos. É ele que me ensina matemática e as 'manhãs' do autocad! Se quero alguma coisa diferente, que não encontrei, eu desenho, imagino, descrevo e vai o pai fabricar! E se algo que amo muito estragou e tem um jeitinho de dar uma consertada e ficar novinho " paiêê, você dá uma olhadinha...?", e ele, o Jorge Luiz, sorri e arruma! Nunca tem tempo ruim.  Exceto, quando chego bem de madrugada em algum final de semana, com umas duas cervejinhas a mais ou se não atendo o celular (porque realmente o som estava alto e o celular na bolsa... Oras!). Nessas ocasiões, quando chego nas pontas do pés, ele faz questão de dar uma tossida que serve como oração: Larissa, me acordou. Isso são horas, menina? (ou melhor: isso são horas para uma menina?).

Desde criança eu tinha mania de segui-lo e a oferecer ajuda, então aprendi com ele, meu pai, algumas coisas que poderiam parecer inúteis, mas que para mim funcionam perfeitamente, como: desentupir bomba de caixa d'água (algo que meus irmãos não sabem e que a minha irmã, também não faria). A como trocar o pneu do carro, num dia de chuva  na BR 040, o pneu furou com toda família a bordo (e la fui eu me interessar... Creio que quis mais sair do carro para tomar chuva com ele e aproveitar o momento). Com ele, gostava de sentar no passeio e ajudá-lo a lavar o carro, em alguns sábados, mesmo que fosse apenas para eu ficar a molhar meus pés com a mangueira enquanto ele fazia todo o resto.

Juntos plantamos um pé de ipê amarelo em frente a casa. Orgulho de todo dia passar por ele e ver que está maior que do eu. 

Meu pai é sensacional! Certa vez, quando morei fora, ele me ligou de manhãzinha, no intervalo da aula e conversamos durante uns dez minutos dando gargalhadas. Quando desliguei, um colega  perguntou  quem era, respondi “meu pai!”.  Ele logo arrematou “nossa, mas você conversa com seu pai assim? Desse modo???  Eu não... Quem dera...” Respondi dizendo “assim como? Ué! Sempre conversamos assim, assim, sim...”.  Então, eu tenho mais é que agradecer aos céus nosso companheirismo. Essa amizade entre mim e meu pai que transcende a matéria.

Ele tem um sorriso bom! Ele tem os olhos azuis e o brilho deles são de bondade. Ele lia para mim na infância e me contava histórias inventadas por ele (deve ser por isso que agora, relendo este texto escrito em 2009, cinco anos depois, percebo que faço o mesmo com minhas sobrinhas).   Passeava de bicicleta comigo e quando o meu irmão me 'tomou' o lugar de caçula, meu pai, logo deu um jeitinho de colocá-lo na frente e eu na garupa da mesma bicicleta. 

Ele me fez acreditar em Papai Noel,  bruxas, fadas, potes de ouro embaixo do arco-íris e salamandras! Como também me mostrou que as coisas conseguidas de forma muito fácil geralmente acabam no desinteresse. Daí, faltará o valor do esforço despendido. 

Algumas vezes nos sentamos na varanda e conversamos sobre a nossa cidade, meus irmãos, livros, filmes, meus estudos, sobre a falta de humanidade, corrupção, violência ... Outras vezes sentamos na varando à noite para tentarmos ver satélites e o Cruzeiro do Sul. E ficamos lá por horas. 

Minha mãe diz que quando estamos juntos ela não consegue ouvir nenhum programa, que falamos demais e muito alto! Todavia, ela gosta desses momentos, pois estamos sempre reunidos. E os olhos dela brilham.
  
Semana dessas,  brincamos de campeonato de cuspe. Minha mãe bem que reclamou (consigo ver o rosto dela, quase nos xingando - risos), dizendo um “que nojento”...  Enquanto nós dávamos gargalhadas da varanda e a chamávamos para participar também! Coisa que ela nunca faria!

Por essas e outras, foi que na terceira – feira eu tive um acesso de choro. Bem que tentei não chorar, pois pra ele que ia, seria bem pior, afinal o restinho da família estaria  junta. Eu o abracei bem forte, com os olhos vermelhos e ele brincando disse “quer ir comigo, Lala?” É lógico que eu gostaria! Mas completou: “você tem que tomar conta da casa, da sua mãe e dos meninos... Você é a mais esperta deles!” E  piscou!  Eu sorri... Mas nada disso aliviou a partida. Eu fiquei na porta da rua, de pijama, esperando o carro virar a esquina... E cruzando os dedos para que rapidamente ele regressasse. 



PS: cinco anos depois continuamos a nos sentar na varanda em minhas férias. Continuamos a nos telefonar quase todos os dias. O pé de ipê está muito maior do que eu e suas flores amarelas são lindas. Plantamos um bouganville bonina que também é maior do que nós dois agora. Nossa família cresceu mais um pouco e sempre que estamos reunidos marcamos a altura de minhas sobrinhas, suas netas, no batente da porta da sala, onde tem as alturas de todos os que amamos.  (10/08/2014)

sexta-feira, 20 de março de 2009

Minha Vida de Menina


Gente! Pasmem... estou ficando velhota!! rsrsrs...
Mas tipo assim, me peguei relembrando as festinhas de aniversário que tive durante esses anos todos e lembrei de tudo como se fosse ontem... não é possivel que estou chegando aos 24 anos assim tão rápido! Até as roupinhas eu lembro! E do meu aniversário de 3 anos, posso sentir o gosto do vestidinho da Hello Kitty que era o bolo...Tão saboroso! E na festinha de 4 anos os bombons foram os melhores! Não tem como...  Acho que cheguei na crise dos 20 um pouco mais tarde. E olha que não fiz nem 1/3 do que quero. Formei no que amo, mas ainda não trabalho. Não sou independente e não fico sozinha por muito tempo.
"Ter vinte e poucos anos..." Isto é chamado de "crise de um quarto de vida".
É quando você pára de sair com a galera e começa a perceber muitas coisas sobre você que você mesmo não conhece e pode não gostar disso. Você começa a se sentir inseguro e pensar sobre onde você vai estar daqui a um ano ou dois, mas de repente se sente inseguro porque você mal sabe onde está agora. Você começa a perceber que as pessoas são egoístas e que, talvez,
aqueles amigos que você pensou que eram tão próximos não são exatamente as melhores pessoas que você encontrou em seu caminho, e pessoas que você perdeu o contato eram algumas das mais importantes. O que você não consegue perceber é que eles percebem isso também, e não estão sendo frios,grosseiros, ou falsos, mas estão tão confusos quanto você. Você olha para seu emprego...e não é nem perto do que você imaginava que estaria fazendo, ou talvez você esteja procurando emprego e percebendo que vai começar do zero e isso pode te assustar. Suas opiniões se tornaram mais fortes. Você vê o que os outros estão fazendo e se encontra julgando mais do que o usual,porque você percebe que desenvolveu certos limites na sua vida e está constantemente adicionando coisas na sua lista do que é aceitável e o que não é. Em um minuto, você está inseguro e no próximo, seguro. Você ri e chora com a maior força da sua vida. Você se sente sozinho, assustado e confuso. De repente, a mudança é sua maior inimiga e você tenta se agarrar ao passado com a vida boa, mas logo percebe que o passado está cada vez mais longe, e não há nada a se fazer a não ser ficar onde está ou caminhar para a frente.
Você tem seu coração quebrado e pensa como alguém que você amava tanto pôde causar tanto estrago em você. Ou você fica deitado na cama e pensa por que você não poderia encontrar
alguém decente o suficiente que você queira conhecer melhor. Ou às vezes você ama alguém e ama outro alguém também e não consegue imaginar porque você faz isso, já que você sabe que não é uma má pessoa. Ficar com alguém por uma noite ou galinhar começam a parecer ridículos.
Agir como um idiota se torna patético. Você sente as mesmas coisas e enfrenta as mesmas questões de novo e de novo,e conversa com seus colegas sobre as mesmas coisas porque você não consegue tomar decisões.
Você se preocupa sobre empréstimos, dinheiro, o futuro e construir sua
própria vida...e enquanto ganhar a corrida seria maravilhoso, neste  momento você gostaria apenas de participar! O que você pode não perceber é que
todos que lêem isso encontram algo em comum.
Estamos em uma das melhores e piores épocas da vida, tentando o
máximo que podemos acabar com isso."