sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Lembranças


Sei, sei... Já faz um tempinho que não venho aqui depositar minhas caretices. Peço desculpas a quem gostava de ler qdo não tinha nada pra fazer...ficou mais a toa ainda nos últimos dias.
Não é que não tinha algo pra colocar aqui. Sempre tenho. Acontecia das palavras se desconhecerem e eu não conseguia sincronizá-las.Culpa dos meus neurônios fadigados? Muito provável que sim. E garanto que agora não sairá nada mais que algumas palavrinhas. Sei lá se vou conseguir falar dos dias que ocorreram.
Mais uma vez tenho que me despedir de alguém. A última vez vcs se lembram, foi há pouco tempo. Agora,minha vó. Essa mesma. A que eu morava com ela. 15 anos juntas. Porém foi uma despedida linda. Tirando seu sofrimento nas últimas 10 horas de vida, ela tava linda na urna ( que ainda foi escolhida por mim!). Com aquela aparência de "Tô indo feliz".Pronto. Nada mais a se dizer. Eu já sabia que ela ia embora por esse mês. Sabia até do motivo. Não me pergunte como eu sabia. Porém consegui preparar minha cabeça, mas não meu coração. Porra nenhuma. A gente não consegue se preparar pra isso. Me deixou mais aflita. Dia 30 de setembro pra 1° de outubro eu já comecei a pirar. Chorei algumas vezes escondida sim. Sabia que estava próximo dela partir, e eu não poderia fazer nada. Estava de pés e mãos atados. Estava nas mãos de Deus. E Ele queria levá-la agora. A casa está estranha. Ela não tá aqui pra brigar com a gente pq não quer comer. Não tá pra fazer as mesmas perguntas 5 vezes seguidas, vitima de seu DNA ( data de nascimento avançada, 93 anos). Mas seu cheirinho fica. O Toquinho tb está triste e chora de noite. Quem não gostava de ver aquela senhora sentada em sua cama fazendo crochê? Contando historias de sua infância?
Confesso que ela era muito braba! Vááááárias vezes não me deixou sair e eu ficava fula da vida. Era conhecida entre meus amigos de adolescência de "Vovó General". Marcava hora pra chegar em casa. Cedo. Obrigando eu e Lari a atrasar os relógios. E tb a dormir no banheiro pq queríamos ficar conversando noite a fora e todos os cômodos da casa estavam ocupados. Essa noite vó quase teve um treco de tão nervosa que ficou com a gente. Já jogou água benta em nós duas, pq tb estávamos na sala de madrugada rindo alto não-sei-sobre-o-quê-pra-variar e ainda saiu rezando o Credo.Qdo a farra na rua tava boa, ligávamos pra ela as 5 da manhã pra dizer que chegaríamos as 7 e se queria que levassemos o pão.Descobrimos que ela acordava as 4:30 da manhã pra fazer o café qdo chegamos em casa nesse horário, pulamos na cama e fingimos que dormiamos.Ela, claro não caiu nessa. Escutamos os xingos até o raiar do Sol. E foi ai que desenvolvemos o plano de: chegar antes do café ou bem depois com o pão.
Qdo pequenas, quebramos um vaso dela, escondemos no fundo do baú de roupas pra lavar e os caquinhos foram parar debaixo da cama. Nunca confessamos que fomos nós. Nem precisava.Ela conhecia as netas que tinha. Foram inumeras vezes que tentamos passar ela pra trás em questão de bagunça, horários e farras. Quase nunca funcionou. Ela era esperta por demais. Ela sim passava a gente pra trás..rsrs... Ahhh lemrando dessas e outras coisas é que me vem a certeza na cabeça: ela está realmente descansando! Criou filhos e netos, e conheceu os bisnetos. Fora as férias, que reunia a maioria dos netos e ela ficava de cabelo em pé! Super guerreira!

Foi embora com ajuda de uma enfermeira. Colocando sua sonda de alimentação no pulmão ao invéz de colocar no estômago. Sim! Uma enfermeira da Unimed fez isso com ela! Mas tudo bem. Deus sabe o que faz. E por incrivel que pareça, paramos de sentir a presença da tia Lêda em casa. Mostrando que ela só estava esperando pela vó.

Lembram da história de "mudos em momentos fúnebres''??<http://umlugarchamadomarte.blogspot.com/2008/09/muito-obrigada-agora-pode-irse-quiser.html> Que bom que dessa vez a maioria só me abraçou. E gente, como eu rí no dia do velório! Uma sobrinha da minha vózinha é muito engraçada! E ela tb não gosta de pêsames. Mas perai, antes que vcs nos julguem, era de madrugada (sim, passamos a noite velando no cemitério), só tinha familia alí. Ela contava piadas horrooores! Eu me senti tão aliviada! No fundo até a vó tava se divertindo! Não é que somos insensiveis, que não estamos sofrendo com a partida dela. É sim um jeito que aprendemos a lidar com a dor. Cada um sabe onde o seu sapato aperta. Pra nós, sempre evitamos ao máximo chorar no funeral.Mas confesso que a pior parte é qdo acontece o enterro.Alí não há DG que me faça rir.

Então, nada mais a ser dito né?! Fica com Deus minha Linda, obrigada por tudo que vc fez por mim! Te amo pra sempre!

6 comentários:

  1. Concordo com vc...ela tava com uma carinha de "to indo feliz"...parecia tao serena...quase sorrindo....

    dessas historias de chegar de manah com o pao vc nunca contou..hauhau nunca pensei nessa tatica....rs

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  2. EEi Sabrina! Adorei o texto, acabei de ler ele pra mamãe. Me emocionei com ele! Imagino como ela devia está linda mesmo! E agora ela está olhando por nós! Fique com Deus!! Beeeeeijos!

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  3. Obrigado por me tirar da marasmo e ter oq fazer!
    Te amo!

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  4. Eu sorri ao ler o texto... com os olhos cheios d'água! A vó era a maezona da casa!

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  5. AVÓS têm muito de nós e é pena que muitos Netos depressa se esqueçam que foi graças ás avós que vieram ao mundo.

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  6. Hoje acordei com o pensamento nela... Dona Altina, que saudade!

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